Contacte-nos para mais informações
Por Virgínia Duarte
Coordenadora de Corporate Finance
Yunit Consulting
A descida da atividade de fusões e aquisições (M&A) em Portugal no segundo trimestre de 2026 confirma uma alteração relevante no comportamento do mercado. Investidores, empresas e grupos económicos estão hoje mais prudentes, mais seletivos e menos disponíveis para avançar com operações que não apresentem uma lógica estratégica clara.
Os dados revelam que, no segundo trimestre de 2026, as operações de M&A em Portugal movimentaram 1,29 mil milhões de euros, o que reflete um abrandamento face às 185 transações do primeiro trimestre e às 158 do período homólogo de 2025. O número de transações anunciadas e concluídas no trimestre fixou-se em 122 operações. Num contexto internacional ainda condicionado pelo ambiente macroeconómico, pelas tensões geopolíticas e por uma maior preocupação com a mitigação de risco, estes números mostram que o mercado passou a valorizar, de forma mais evidente, a qualidade dos ativos, a robustez dos fluxos de caixa e a coerência das teses de investimento.
A distribuição setorial reforça esta leitura. O imobiliário continua a ser o principal motor em volume no mercado em 2026, embora em ligeira quebra. Ainda assim, o dado mais interessante surge nas Telecomunicações, no setor Financeiro e nas Infraestruturas, que lideram nos valores investidos, acompanhados por um forte pico de interesse focado em Energias Renováveis, Inteligência Artificial, Defesa e Saúde (Medtech). Num mercado em consolidação, esta dinâmica mostra que há setores que continuam a beneficiar de uma procura consistente, sobretudo quando estão associados à eficiência, à especialização e à capacidade de responder a necessidades estruturais das empresas.
Também a geografia do investimento revela uma alteração relevante. A dinamização do mercado tem sido marcadamente impulsionada pela atividade cross-border, registando-se no acumulado do ano 52 aquisições de empresas portuguesas no exterior (num total de aproximadamente 1,69 mil milhões de euros) e 59 compras por parte de investidores estrangeiros em Portugal (movimentando cerca de 392 milhões de euros).
Paralelamente, a atividade de Private Equity em Portugal revelou um cenário de contrastes: se no acumulado do ano registou uma queda face a 2025 com 31 transações (-36,73%) e 340 milhões de euros (-62,81%), o segundo trimestre isolado demonstrou uma forte recuperação de capital, somando 13 negócios que ascenderam a 320 milhões de euros (um crescimento de valor de 1.500%).
Neste novo equilíbrio, os fundos de Private Equity mais ativos com operações em Portugal têm sido a Draycott (com 4 operações), seguida pela C2 Capital Partners (com 2 operações) e pela Vallis Capital Partners (com 2 operações). Estes intervenientes têm ganhado tração na alocação de capital e no reforço do tecido empresarial nacional, demonstrando como diferentes atores sustentam o investimento em ativos de valor acrescentado no mercado português.
Apesar deste arrefecimento geral no volume global, o trimestre demonstrou que continuam a existir operações de grandes dimensões e com racional estratégico. No mercado nacional, a compra do novobanco pelo Groupe BPCE destacou-se como a operação mais relevante do período, demonstrando a atratividade do setor financeiro e a existência de movimentos relevantes de consolidação acionista e grande dimensão estratégica.
O segundo semestre de 2026 deverá, por isso, ser analisado com realismo, mas também com otimismo. Espera-se uma aceleração no que resta do ano, motivada por um elevado número de negócios em pipeline acumulado e pela melhoria das condições de financiamento e de crédito. O ciclo deverá continuar marcado pela execução tática, disciplina negocial e mitigação de risco. As operações com maior probabilidade de avançar serão aquelas que apresentem complementaridade, racional económico e capacidade de reforçar posições estratégicas.
O mercado português de M&A atravessa uma fase de maior depuração. A quantidade de operações deixou de ser, por si só, o principal indicador de vitalidade, sendo que o verdadeiro sinal de maturidade estará na capacidade de concretizar negócios com sentido estratégico, ativos resilientes e valor sustentado. O M&A em Portugal pode estar a abrandar, mas está a tornar-se mais criterioso.
Fusões, Aquisições ou Avaliação de Negócios, qual será o seu próximo passo? Explore as nossas soluções de M&A para maximizar o valor da sua operação no mercado.
Mantenha-se a par das novidades de incentivos ao investimento e benefícios fiscais e Informação qualificada para decisões de gestão financeira da sua empresa.
Estou de acordo com os termos e condições da Política de Privacidade da Yunit Consulting, a qual li e compreendi.