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Defesa: a nova fronteira de competitividade para a indústria portuguesa

07 09 2026 Expresso
Defesa: a nova fronteira de competitividade para a indústria portuguesa

Defesa: a nova fronteira de competitividade para a indústria portuguesa

Num recente artigo de opinião publicado no Expresso, Bernardo Maciel, CEO da Yunit Consulting, sublinha que a atual conjuntura geopolítica exige uma nova visão estratégica. Leia a perspetiva do nosso CEO sobre como o setor da Defesa se pode assumir como um catalisador decisivo para o tecido empresarial nacional.

Num quadro geopolítico em profunda transformação, a aposta no sector da Defesa pode ser um catalisador decisivo para a modernização da indústria em Portugal.

É inegável que a Europa despertou abruptamente para a necessidade de reforçar a sua capacidade de dissuasão e defesa. Após décadas de desinvestimento e de dividendos da paz, o conflito na Ucrânia expôs vulnerabilidades estruturais na Base Tecnológica e Industrial de Defesa Europeia (EDTIB). A resposta da União Europeia, através de instrumentos como o Fundo Europeu de Defesa (EDF) e, mais recentemente, a Estratégia Industrial Europeia de Defesa (EDIS) e o Programa Europeu da Indústria de Defesa (EDIP), sinaliza uma mudança de paradigma sem precedentes.

Uma Janela de Oportunidade Única

Para Portugal, esta nova realidade não deve ser encarada apenas como uma obrigação de aumento da despesa militar no âmbito dos compromissos da NATO. Trata-se, sim, de uma janela de oportunidade única para alavancar a competitividade da nossa economia, requalificar o tecido produtivo e fixar talento altamente qualificado. A indústria de Defesa tem um forte efeito multiplicador, gerando inovação e desenvolvimento tecnológico com aplicação direta (o chamado duplo uso) em setores civis.

Tradicionalmente, o nosso tecido empresarial, constituído maioritariamente por PME, tem tido dificuldade em aceder às grandes cadeias de valor internacionais deste sector. Contudo, há nichos de excelência onde Portugal já demonstra capacidade competitiva, como a aeronáutica, o espaço, as tecnologias de informação, a cibersegurança e os têxteis técnicos.

Os Desafios do Coinvestimento e da Escala

O grande desafio reside na necessidade de escala e na complexidade de acesso aos fundos europeus. O acesso ao Fundo Europeu de Defesa exige a formação de consórcios transnacionais, o que obriga as empresas portuguesas a estabelecer parcerias estratégicas com os grandes prime contractors europeus.

Aqui, a colaboração entre as Forças Armadas Portuguesas, que atuam como end-users (utilizadores finais) e validam as soluções operacionais, a idD Portugal Defence e as empresas, é absolutamente crítica. É necessário criar mecanismos ágeis de coinvestimento e agilizar os processos de certificação e homologação de equipamentos.

Políticas Públicas e Financiamento Estratégico

A recente proposta de revisão das regras de financiamento do Banco Europeu de Investimento (BEI), permitindo o financiamento de projetos de Defesa e tecnologias de duplo uso, é um sinal positivo que abre novas portas para a capitalização das empresas do setor.

É fundamental que as políticas públicas nacionais acompanhem este momento. O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e o Portugal 2030 poderiam, e deveriam, ter uma articulação mais evidente com a estratégia de reindustrialização na área da Defesa, criando sinergias com os fundos europeus específicos.

Em suma, a Defesa deixou de ser um exclusivo das políticas de soberania para se tornar um pilar central da política industrial e de inovação da União Europeia. Se Portugal souber capitalizar as suas competências de nicho e promover a integração ibérica e europeia das suas empresas, este sector poderá tornar-se num dos grandes motores de crescimento económico da próxima década. A fronteira da competitividade também se joga na nossa capacidade de inovar para proteger.

 

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Defesa: a nova fronteira de competitividade para a indústria portuguesa

07 de setembro de 2026

O artigo de opinião publicado no Expresso conta com a perspetiva de Bernardo Maciel, CEO da Yunit Consulting. O texto detalha como a atual conjuntura geopolítica e o foco no setor da Defesa podem impulsionar e modernizar o tecido empresarial nacional através da inovação.

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