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Mercado Ibérico de M&A e Capital Privado 2026: menos transações, mais valor
O mercado ibérico de Fusões e Aquisições (M&A) e Capital Privado está a atravessar uma fase de transição estrutural. Os dados do terceiro trimestre de 2026 mostram que, apesar da redução do número de transações, o valor movimentado mantém-se resiliente, impulsionado por grandes operações, investimento internacional e diferentes estratégias de captação de capital em Portugal e Espanha.
No acumulado do ano até setembro, foram registadas 2.261 transações na Península Ibérica, menos 15,29% face ao período homólogo, enquanto o valor agregado atingiu os 73.803 milhões de euros, uma redução mais moderada, de 6,17%.
A diferença entre estas duas variações é um dos sinais mais relevantes do período: a atividade transacional recua mais do que o valor movimentado, verificando-se uma maior concentração do investimento em operações de maior dimensão.
01 Panorama Ibérico Global
02 O investimento estrangeiro
03 Portugal e Espanha: duas formas distintas de mobilizar investimento
04 Os setores que continuam a atrair atividade
05 Um mercado em transformação
Tanto Portugal como Espanha registaram uma diminuição do número de transações face ao período homólogo, mas ambos apresentaram crescimento do valor agregado.
Em Portugal, foram contabilizadas 120 transações, menos 7,69% do que no terceiro trimestre de 2025. Ainda assim, o valor total aumentou 129,33%, para 4.768 milhões de euros.
Em Espanha, a diferença foi igualmente expressiva: o número de transações caiu 23,76%, para 616, face ao período homólogo, enquanto o valor agregado cresceu 16,77%, atingindo 20.651 milhões de euros.
Estes resultados evidenciam o peso das mega-operações no mercado: menos negócios não significam necessariamente menos capital investido, sobretudo quando algumas transações, pela sua escala, têm capacidade para alterar significativamente o valor agregado de um trimestre. A maturidade do setor é também visível na execução, com 90% das transações iniciadas concluídas com sucesso, refletindo menor incerteza e maior eficácia.
No mercado ibérico, o M&A continua a representar uma componente central de investimento. No acumulado de 2026, o segmento registou 919 transações e um valor agregado de 33.301 milhões de euros, equivalente a cerca de 45% do total do mercado.
A dimensão internacional é outro elemento relevante na liquidez do mercado ibérico. As operações cross-border contribuem para ampliar as fontes de capital disponíveis e permitem às empresas explorar oportunidades de crescimento para além do seu mercado doméstico.
No acumulado de 2026, registaram-se 676 operações de aquisição inbound, com um valor agregado de 29.390 milhões de euros. Estas operações correspondem a investimento proveniente do exterior em empresas ibéricas, destacando-se a injeção de capital proveniente dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França.
No sentido inverso, as aquisições de outbound totalizaram 316 transações, num valor agregado de 26.545 milhões de euros.
Estes valores demonstram a relevância dos fluxos internacionais em ambas as direções: a Península Ibérica continua a atrair capital estrangeiro, ao mesmo tempo que empresas e investidores ibéricos procuram oportunidades noutros mercados. Assim, o investimento internacional pode representar uma via de acesso a novos mercados, ativos estratégicos e oportunidades de expansão além-fronteiras.
Apesar de partilharem a tendência de redução do volume transacional e crescimento do valor no terceiro trimestre, Portugal e Espanha apresentam motores de investimento distintos.
Em Portugal, o principal contributo para o aumento do valor veio da Aquisição de Ativos (Asset Acquisition). O segmento registou 31 operações, num total de 2.844 milhões de euros, correspondendo a um crescimento de 335,79% face ao período homólogo.
O M&A contabilizou 51 transações, no valor de 1.509 milhões de euros. Já o Venture Capital somou 21 operações e 383 milhões de euros, um aumento de 127,74% em valor. O Private Equity registou 17 transações, com um valor agregado de 33 milhões de euros.
A aquisição do Covilhã Data Center Campus pela Asterion Industrial Partners, através da Mezan SPV 2025, à Altice Portugal, por 120 milhões de euros, é considerado o «negócio do trimestre». Esta operação ilustra a atratividade do país para investimentos em infraestruturas críticas digitais.
Em Espanha, o principal motor foi o Private Equity, que registou 105 transações e 6.986 milhões de euros, um crescimento de 280,35% face ao terceiro trimestre de 2025.
O M&A representou 256 operações, no valor de 6.357 milhões de euros, enquanto a Aquisição de Ativos somou 157 transações e 5.558 milhões de euros. O Venture Capital contabilizou 100 operações, num total de 1.869 milhões de euros.
O negócio de maior destaque foi a aquisição da norte-americana Webster Financial Corporation pelo Banco Santander, avaliada em cerca de 10.325 milhões de euros. A operação evidencia uma estratégia de expansão internacional de grande escala e ajuda a compreender o peso que transações individuais podem ter no valor agregado do mercado espanhol.
No acumulado ibérico, o setor Imobiliário (Real Estate) liderou em número de operações, com 572 transações, apesar de uma redução de 13% em Espanha e de 27% em Portugal, face ao período homólogo.
Seguiram-se Internet, Software & IT Services, com 249 operações, também com uma quebra de 13% no mercado espanhol e de 21% no mercado português, e Business & Professional Support Services, com 199 transações, um crescimento de 4% em Espanha e de 41% em Portugal.
O imobiliário, os serviços de Internet, Software e IT e as energias renováveis mantiveram-se entre os setores com maior número de operações.
A atividade destacou o imobiliário, a tecnologia, o turismo, a hotelaria e lazer, e os serviços de apoio empresarial e profissional. O software especializado por indústria destacou-se pelo seu crescimento, mais 22% do que no mesmo período de 2025.
A diversidade destes setores mostra que o investimento continua a procurar diferentes tipos de ativos e modelos de negócio.
O mercado ibérico de M&A e Private Capital está a atravessar uma fase de maior seletividade, em que a capacidade de concretizar negócios ganha relevância face ao volume de transações. A redução do número de operações, acompanhada por uma evolução mais moderada do valor movimentado, revela um mercado onde os negócios de maior dimensão assumem um papel crescente. Com 90% das transações iniciadas concluídas com sucesso, os dados apontam também para uma maior eficácia na execução e para uma abordagem mais criteriosa ao investimento.
Esta evolução ocorre num mercado cada vez mais ligado aos fluxos internacionais de capital. O investimento estrangeiro, com especial relevância dos mercados anglo-saxónicos e de França, continua a contribuir para a liquidez da Península Ibérica, enquanto as operações cross-border refletem a procura de oportunidades para além das fronteiras nacionais.
Para as empresas, esta realidade reforça a importância de uma preparação estratégica, seja para captar investimento, crescer através de aquisições ou estruturar uma operação de venda. A dimensão internacional acrescenta outra possibilidade estratégica: aceder a investidores internacionais, explorar novos mercados ou identificar parceiros que possam acelerar o crescimento.
A diferença entre Portugal e Espanha demonstra ainda que não existe uma única via para mobilizar investimento. A escolha entre M&A, Private Equity, Venture Capital ou operações envolvendo ativos específicos dependerá da natureza do negócio, dos objetivos dos acionistas e do tipo de capital que se pretende atrair. Uma estratégia eficaz exige objetivos claros, informação financeira robusta e uma proposta de valor diferenciada.
Num mercado em transformação, a oportunidade não está apenas em concretizar uma transação, mas em preparar o negócio para que essa operação crie valor. Compreender a dinâmica do investimento, acompanhar os movimentos internacionais e antecipar as exigências de investidores e compradores pode ser determinante para empresas que procuram crescer, transformar-se ou preparar o próximo ciclo de desenvolvimento.
Fonte: TTR Data, Quarterly Report - 3Q 2026.
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