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Estudo da Yunit Consulting revela que 80% das empresas valorizam o recurso à Inteligência Artificial pelas consultoras, enquanto 75,2% dos decisores consideram que a oferta do setor é pouco diferenciada. A confiança na equipa e os resultados comprovados continuam a pesar mais do que o preço na decisão de contratação, sobretudo, entre as grandes empresas.
A tecnologia está a transformar as expectativas das empresas em relação à consultoria de gestão, mas a inovação, por si só, não determina a escolha de um parceiro. A confiança na equipa, a experiência e a capacidade de demonstrar resultados continuam a ser fatores centrais na decisão de contratação, num mercado em que a diferenciação representa um desafio para as consultoras.
Estas são algumas das principais conclusões do estudo Mercado da Consultoria, desenvolvido pela Multidados para a Yunit Consulting, com base em 300 inquéritos a quadros de topo e decisores nacionais. O estudo analisou os critérios de seleção de consultoras, as prioridades das empresas e as expectativas quanto à evolução do setor.
A tecnologia utilizada pela consultora está entre os fatores menos referidos na escolha, sendo mencionada por apenas 14,8% dos decisores. Contudo, a sua relevância aumenta com a dimensão das organizações: é apontada por 34,1% das médias empresas e 43,8% nas grandes, face a 7,6% das microempresas e 10,8% pequenas empresas.
Esta tendência acompanha a crescente valorização da Inteligência Artificial: oito em cada dez empresas consideram relevante que as consultoras recorram a esta tecnologia na prestação dos seus serviços, uma valorização que atinge os 93,8% nas grandes empresas. Estes resultados mostram que a dimensão empresarial influencia diretamente a importância atribuída à inovação e maturidade tecnológica.
Segundo os resultados do estudo, o preço não dita tudo, pelo menos se olharmos para as grandes empresas. A confiança na equipa é o fator mais valorizado na escolha de uma consultora, referido por 61,1% dos decisores, seguindo-se os resultados comprovados, com 57,4%, e a experiência no setor, com 51,9%. O preço surge apenas na sétima posição, mencionado por 33,3%. No entanto, a sua relevância varia substancialmente consoante a dimensão das empresas, sendo um fator de relevância para 44,8% das microempresas e para apenas 12,5% das grandes organizações inquiridas.
“Os dados sugerem que as empresas de maior dimensão tendem a atribuir menos peso ao preço enquanto critério isolado e mais relevância a fatores como a experiência, o conhecimento técnico e os resultados. É uma reflexão importante também para empresas de menor dimensão que pretendem crescer, porque a escolha de parceiros especializados pode ter um impacto relevante na qualidade das decisões e na capacidade de concretizar esse crescimento”, afirma Andreia Jotta, Diretora de Desenvolvimento de Negócio da Yunit Consulting.
Os resultados demonstram ainda que as empresas procuram consultoras capazes de combinar conhecimento técnico e inovação com uma relação de confiança e resultados concretos para o negócio. A Inteligência Artificial representa uma expectativa crescente, mas o seu valor para os clientes dependerá da forma como contribui para melhorar o serviço prestado e gerar impacto concreto nos negócios.
Um dos dados mais expressivos do estudo é a perceção de semelhança entre as consultoras: cerca de 75,2% dos decisores consideram que as empresas do setor são semelhantes no essencial ou pouco diferenciadas entre si.
Dentro desta amostra, 45,2% identificam algumas diferenças, mas consideram que as ofertas são semelhantes no essencial, enquanto 30% descrevem as consultoras como muito semelhantes. Apenas 15,2% consideram que as empresas do setor são claramente diferentes entre si.
Esta perceção coloca a diferenciação no centro dos desafios da consultoria de gestão. Num contexto em que os serviços são vistos como semelhantes, a apresentação de competências e áreas de atuação não é suficiente para evidenciar o valor de uma consultora.
A capacidade de demonstrar o impacto do trabalho desenvolvido torna-se, assim, decisiva: desde a identificação de oportunidades de investimento e a redução de riscos até à melhoria da eficiência e à concretização de objetivos de crescimento.
A forma como as empresas pretendem relacionar-se com as consultoras reforça a importância da confiança e da continuidade. Mais de metade dos decisores (55,2%) prefere uma relação contínua. Em contrapartida, 25,9% privilegiam um apoio pontual e 14,1% recorrem à consultoria exclusivamente quando necessitam de apoio técnico.
A preferência por relações duradouras é particularmente evidente nas grandes empresas: metade dos decisores deste segmento procura um parceiro recorrente de confiança e a outra metade um parceiro estratégico de longo prazo. Nas microempresas, o apoio pontual assume maior expressão, sendo referido por 34,5%.
Estes dados sugerem que existe espaço para uma abordagem à consultoria que vá além da resposta a necessidades isoladas. A compreensão continuada do negócio permite antecipar desafios, identificar novas oportunidades e articular diferentes áreas de intervenção em função dos objetivos de cada cliente.
O recurso à consultoria permanece fortemente associado ao acesso a incentivos e financiamento. Entre os decisores inquiridos, 65% indicam que as empresas que representam já recorreram a consultoria para incentivos ou fundos europeus. Seguem-se os benefícios fiscais, mencionados por 50,3%, e a inovação e investigação e desenvolvimento, com 46,3%.
A utilização de serviços mais diversificados é mais expressiva nas grandes organizações: 81,3% referem experiência de recurso a consultoria para incentivos ou fundos europeus, 75% para operações de corporate finance, 68,8% para sustentabilidade e ESG, benefícios fiscais e inovação e I&D, e 56,3% para apoio à internacionalização.
Por outro lado, 13,2% das microempresas nunca utilizaram consultoria nas áreas analisadas. Neste segmento, a falta de conhecimento sobre a oferta é a razão mais apontada (30%), seguida dos custos elevados ou da perceção de um retorno pouco claro (23,3%).
Estes números evidenciam a necessidade de esclarecer o ecossistema empresarial sobre o leque de serviços da consultoria e o retorno efetivo que estes podem gerar.
As prioridades dos decisores para os próximos dois a três anos ajudam a perceber onde poderão surgir novas oportunidades para o setor. Aumentar as vendas no mercado nacional é o principal objetivo das empresas (25,2%), seguindo-se a exportação para novos mercados (15,9%) e o investimento em novas tecnologias, digitalização e automatização (15,2%). Ao nível da produtividade, os decisores destacam a digitalização, a automatização e a robótica (28,9%), a reorganização de processos e a eficiência operacional (23%) e a utilização de Inteligência Artificial (15,2%) como medidas para melhorar o desempenho das organizações.
Estes objetivos representam uma oportunidade para aproximar a proposta de valor das consultoras dos desafios concretos das empresas. A diferenciação dependerá da capacidade de ligar conhecimento especializado, tecnologia e proximidade a um impacto mensurável no negócio dos clientes.
“Quando três em cada quatro decisores consideram que as consultoras são semelhantes no essencial, enumerar serviços já não chega. A diferenciação terá de ser demonstrada através do impacto e do valor acrescentado que conseguimos gerar no cliente: o que mudou na empresa, que risco foi reduzido, que oportunidade foi criada e que resultado foi alcançado. A tecnologia passou a ser esperada, mas não substitui a confiança e, num mercado percecionado como semelhante, a diferenciação depende da prova de valor”, conclui Andreia Jotta.
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