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SI Inovação apoia projetos em setores tradicionais com diferenciação

09 06 2021 PT2030 | Investimento e Financiamento
SI Inovação apoia projetos em setores tradicionais com diferenciação

SI Inovação apoia projetos em setores tradicionais com diferenciação - Será a indústria metalúrgica inovadora?

Segundo a Autoridade de Gestão do COMPETE 2020, no seu relatório de ponto de situação de 31 de março, a taxa de compromisso dos Sistemas de Incentivos (SI) destinados às empresas do Portugal 2020 era de 145,6%, a taxa de pagamento de 81,1% e a taxa de execução de 71,2% em relação à dotação indicativa de 4382 M€. Tudo indica que, à data da publicação deste artigo, já tenha sido comunicado o último aviso para empresas no Portugal 2020 para o SI Inovação Produtiva. Estão em causa apoios de 400 milhões de euros, que serão financiados pelo Compete 2020 e pelos programas operacionais regionais Norte, Centro, Alentejo, Algarve e Lisboa. Visam apoiar mil milhões de euros de novos investimentos de micro, pequenas, médias e grandes empresas. Perante esta notícia, e porque o SI à Inovação e Empreendedorismo representa quase 60% dos SI destinados às empresas, será relevante saber quais os fatores que determinam um bom projeto nesta fase final do Portugal 2020. De acordo com o Boletim do COMPETE 2020, o Agrupamento Setorial mais representativo no que diz respeito ao incentivo aprovado é o “Metálica”. E porque um exemplo vale por mil teorias, apresento um caso concreto.

A metalurgia e a metalomecânica exportaram, nos primeiros seis meses deste ano, 10 120 milhões de euros, um aumento de 32% face ao período homólogo. São 2500 milhões a mais do que no ano passado, graças à recuperação progressiva dos mercados tradicionais do Metal Portugal, designadamente Espanha, Reino Unido e França que, em conjunto, representam 75,8% das vendas ao exterior desta indústria.

Uma empresa com atividade na Indústria metalúrgica pretendia fabricar produtos de alta qualidade e valor acrescentado. A principal ambição estratégica era aumentar significativamente a presença em mercados avançados e sofisticados, onde estava a maior parte das empresas dos setores que a empresa fornecia, nomeadamente: indústria de componentes automóveis, indústria metalomecânica, indústria de mobiliário metálico, indústria de materiais e equipamentos de construção e indústria de infraestrutura de telecomunicações.

A empresa faturava 15M€ em 2015 e projetava investir 3,5M€ entre 2016 e 2017. O investimento produtivo centrava-se no aumento da capacidade e na reconfiguração do processo produtivo. Isto permitiria aumentar a flexibilidade para responder rapidamente, com produtividade e rentabilidade, às solicitações dos clientes, permitindo ainda a incorporação de especificações de produto. Este fator constituía a principal vantagem competitiva da Empresa, permitindo a sua diferenciação da concorrência nacional e internacional que não tinha esta capacidade.

O projeto obteve um incentivo de 2,5M€ e à data já é possível avaliar o impacto. Em 2019, o volume de negócios ascendeu a 28M€, superando em muito os 17M€ estimados no estudo de viabilidade; o VAB superou também em muito o estimado. Também no que diz respeito ao emprego altamente qualificado se verificou um aumento significativo. Paralelamente ao âmbito produtivo, e de forma coerente com a sua estratégia de atuar em mercados geográficos exigentes, a empresa investiu também em ações de internacionalização.

Este é um exemplo concreto, mas revendo vários dos projetos desde 2015 verifica-se que, para se ter um projeto de sucesso há que começar por fazer perguntas. Estas conduzem a um conjunto de análises que, por sua vez, permitem obter as respostas e, com elas, a definição das opções estratégicas.

Já que a base tem de ser garantida: um projeto de investimento tem de ser coerente com a estratégia da empresa. Normalmente, a Empresa começa por ter uma perceção do mercado em que ambiciona atuar: que outros mercados setoriais e geográficos podem usar os produtos existentes, que adaptações devem ser incorporadas para que os produtos possam ser usados nesses mercados, quanto valem esses mercados; quais os concorrentes, que competências têm e o que fazem de diferente da minha Empresa? Verifica-se uma ambição de atuar em setores e geografias mais concorrenciais, com produtos mais valorizados economicamente.

E quanto à equipa, tenho pessoas com as competências necessárias em todos os âmbitos de intervenção? A minha equipa permitir-me-á distinguir tecnicamente da concorrência? Que adaptações preciso fazer à minha produção, à minha organização e à minha equipa? Tenho capacidade financeira para fazer o investimento necessário? A resposta a estas questões conduzirá a decisões sobre a atuação da empresa e à definição das suas opções estratégicas com a identificação clara dos seus objetivos SMART para o curto e médio prazo.

Assim, um projeto de investimento ganhador é o que é coerente com estratégias assentes em diferenciação tecnológica, flexibilidade ou produtividade. Das estratégias ganhadoras consta a diferenciação em mercados setoriais e geográficos diversos e exigentes; e consta ainda a aposta numa equipa com competências distintivas para responder às necessidades evolutivas do mercado.

 

Célia Esteves Diretora de Sistemas e Processos, Yunit Consulting (Artigo publicado na edição de junho da Revista “Actualidade” da CCILE – Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola)

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